Atividades fisícas são essenciais no tratamento da fíbrose cística

A Fibrose Cística é uma doença genética, crônica e progressiva que tem como principal característica o aumento de secreções mucosas espessas e viscosas que obstruem os ductos das glândulas exócrinas, que contribuem para o aparecimento de três características básicas: 1

  • Doença pulmonar obstrutiva crônica;
  • Níveis elevados de eletrólitos no suor;
  • Insuficiência pancreática com má digestão/má absorção;
  • Desnutrição.

A Fibrose Cística se manifesta de uma maneira muito variável. A manifestação e o diagnóstico podem ocorrer nos recém-nascidos ou em uma fase mais tardia da vida, sendo que alguns pacientes ficam totalmente assintomáticos por vários anos.3

Manifestações mais comuns da Fibrose Cística: 4

  • Suor salgado;
  • Tosse persistente crônica;
  • Produção excessiva de escarro/muco;
  • Pneumonias de repetição;
  • Diarreia, fezes volumosas e gordurosas;
  • Crescimento deficiente.

Comprometimento da qualidade de vida A  progressão da doença pulmonar na Fibrose Cística pode reduzir a capacidade de praticar atividades físicas. A desnutrição causada pelo consumo insuficiente de calorias ou proteínas, e as alterações no organismo, causados pelo processo inflamatório do pulmão levam à redução da massa muscular e da densidade mineral óssea. Esses fatores acarretam no rápido surgimento de fadiga muscular. Isso porque a diminuição gradativa do condicionamento físico, aliado à inatividade, piora a falta de ar e impacta na qualidade de vida.5,6

  •  Importância dos exercícios físicos

    Embora a doença pulmonar da Fibrose Cística leve à dificuldade da capacidade de realizar exercícios,6 a prática é importante para o tratamento, quando acompanhada e recomendada por um profissional da saúde.

    Exercícios aeróbicos

    Os exercícios aeróbicos (andar, correr, nadar, pedalar, dançar, etc.) podem ser recomendados por profissionais da saúde para pacientes com Fibrose Cística.7 Quando realizados de maneira regular, melhoram a capacidade cardiopulmonar, os níveis das atividades habituais, a tolerância ao exercício e a sensação de bem-estar,8

    Treinamento de força

    Independente da idade do paciente, o treinamento de força, conhecido também como anaeróbico (utilizando pesos) é importante, porque a desnutrição e o processo inflamatório do pulmão levam à diminuição da massa corporal magra, apontada como principal fator da diminuição da capacidade para o exercício em indivíduos com Fibrose Cística.9 Aliado a esse quadro, ocorre a perda de força da musculatura respiratória que causa o aumento do gás carbônico no sangue arterial (devido à ventilação pulmonar insuficiente) e aumenta ainda mais a limitação ao exercício, ou seja, aumentar a força da musculatura periférica e da musculatura respiratória é fundamental para melhorar a aptidão física.10

    Outro aspecto importante é que esses exercícios induzem a menos falta de ar do que os exercícios aeróbicos, sendo mais seguro para os pacientes com comprometimento pulmonar moderado e grave.11

    Principais benefícios de atividades regulares: 5

  • Desobstrução das vias aéreas pulmonares;
  • Diminuição da resistência à insulina;
  • Melhora da composição corporal e consequente aumento da autoestima;
  • Melhor desenvolvimento ósseo;
  • Diminuição da degradação proteica;
  • Melhora da função imunológica
  • Diminuição da frequência cardíaca de repouso.

Pacientes com Fibrose Cística podem se beneficiar particularmente de um estilo de vida mais ativo. A atividade física é uma escolha de estilo de vida e um auxílio no tratamento.

Consulte um profissional da saúde para individualização de tratamento e busca pela prática de exercícios antes de iniciá-la.  Este é um material informativo e não substitui a recomendação de um profissional da saúde.

Referências

  1. Bentley P. Undeerstanding cystic fibrosis, improving life expectancy. Nurs Times. 1999; 95(43):50-61. 
  2. Santos G.,et al. Programa de triagem neonatal para Fibrose Cística no Estado do Paraná: avaliação após 30 meses de sua implantação. J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2005, vol.81, n.3, pp.240-244.
  3. Reis FJC, Damaceno N. Fibrose Cística. Jornal de Pediatria.1998; 74 (Supl.1): S76-S94.
  4. Daftary A, Acton J, Heubi J, Amin R. Fecal elastase-1: utility in pancreatic function in cystic fibrosis. J Cyst Fibros. 2006;5(2):71-6.
  5. Chaves Celia Regina Moutinho de Miranda, Oliveira Cristiano Queiroz de, Britto José Augusto Alves de, Elsas Maria Ignez Capella Gaspar. Exercício aeróbico, treinamento de força muscular e testes de aptidão física para adolescentes com Fibrose Cística: revisão da literatura. Rev. Bras. Saude Mater. Infant.  [Internet]. 2007 Sep [cited  2019  Aug  16] ;  7( 3 ): 245-250. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-38292007000300003&lng=en.  http://dx.doi.org/10.1590/S1519-38292007000300003.
  6. Paranjape MS, Barnes LA, Carson KA, Berg K, Loosen H, Mogayzel PJ. Exercise improves lung function and habitual activity in children with cystic fibrosis. J Cystic Fibrosis. 2012;11:18-23.
  7. Gulmans VAM, Van Deer LJ, Wattimena D, Van Doorn J, Oostveen D, Berger R, De Meer K. Insulin like growth factor and leucine kinetics during exercise training in children with cystic fibrosis. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2001; 32: 76-81. 
  8. Blau H, Mussaffi-Georgy H, Fink G, Kaye C, Szeinberg A, Spitzer SA, Yahav J. Effects of an intensive 4-week summer camp on cystic fibrosis. Chest. 2002; 121: 1117-22.
  9. Moser C, Tirakitsoontorn P, Nussbaum E, Newcomb R, Cooper DM. Muscle size and cardiorespiratory response to exercise in cystic fibrosis. Am J Respir Crit Care Med. 2000; 162: 1823-7.  
  10. Gosselink R, Troosters T, Decramer M. Peripheral muscle weakness contributes to exercise limitation in COPD. Am J Respir Crit Care Med. 1996; 153: 976-80. 
  11.  Bernard S, Whittom F, Le Blanc P, Jobin J, Belleau R, Bérubé C, Carrier G, Maltais F. Aerobic and strength training in patients with chronic obstructive pulmonary disease. Am J Respir Crit Care Med. 1999; 159: 896-901.  

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No Brasil, estima-se que a incidência é de 1 caso para cada 10 mil nascidos vivos. 2